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Saúde

Covid-19: Hospital fechado há 6 anos pode ser alternativa para atendimentos

Empreendimento com capacidade para 125 leitos foi inaugurado em Santa Rita do Sapucaí em 2013 e funcionou por apenas oito meses

Postado em 30/03/2020 às 13:59 |

Hospital tem 7.500 m² de área construída (Foto: Divulgação)

Reportagem de Magson Gomes* – Terra do Mandu 


O hospital Maria Thereza Rennó acaba de completar seis anos de portas fechadas, em Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas. O prédio, que tem quase oito mil m² de área construída e conta com 125 leitos, entre UTI, urgência, emergência e observação, seria uma alternativa para o tratamento de pessoas com o novo coronavírus na região. 

O hospital é particular e foi fechado em 2014 por causa de um rombo nas finanças. O prefeito de Santa Rita do Sapucaí, Wander Chaves, afirma ao Terra do Mandu que o governo federal foi procurado, mas não demonstrou interesse em investir na reabertura do empreendimento.

Na última terça-feira (24/03), foi realizada uma reunião por videoconferência para discutir o assunto com um membro da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde. Além do prefeito Wander Chaves, participaram da reunião o prefeito de Pouso Alegre, Rafael Simões, e o deputado federal, Bilac Pinto.

“O ponto importante é o governo federal querer colocar esse hospital para atender pacientes do coronavírus para atender a região inteira. Aí viria com a força de governo federal e rapidinho aprontava. Essa foi a conversa. Na emergência do coronavírus não houve interesse do governo federal”, lamenta o prefeito”, diz o prefeito de Santa Rita que completa: “Reabrir o equipamento sai mais barato do que construir um hospital de campanha”.

Wander Chaves explica que, mesmo com o hospital estando pronto, colocar em funcionamento exige um vultuoso investimento que os municípios não teriam capacidade de arcar com todas as despesas. Os valores necessários não foram informados.

O representante do hospital Maria Thereza Rennó, Joaquim Campos, confirma que houve conversas e até uma visita ao local de uma comitiva composta por membros do Ministério Público Federal e do Ministério Público de Minas Gerais para ver as condições do hospital.

“Recebemos uma comitiva de 10 pessoas do Poder Público e nós disponibilizamos, sensibilizados pelo caráter humanitário, a contribuir para reativar o empreendimento”, conta o representante do hospital que ainda completa afirmando que tem falado com prefeitos sobre o assunto: “Não é simples reabrir um prédio ativando, a atividade hospitalar”, pondera.

Algumas das despesas iniciais para a reabertura do hospital estão religação da energia elétrica, desinfecção de todo o prédio, compra de oxigênio, medicamentos e insumos para a farmácia, além de contratação de profissionais para todos os setores e alimentação.

Outras possibilidades

O prefeito de Santa Rita do Sapucaí disse ainda que a luta para a reativar o hospital vai continuar e busca outros modelos de parcerias para isso. Uma esperança é o governo do estado, que é mais frágil economicamente. 

“Esse hospital em funcionamento é absolutamente estratégico para o Sul de Minas. Para Santa Rita também, mas ele é pensado para a região. Para que a saúde melhore com mais um hospital mais próximo da gente, ao lado do Hospital das Clínicas Samuel Libânio, em Pouso Alegre, e do Hospital Escola, em Itajubá. Nós estamos precisando de leitos e de médicos para atender a população”.

Enquanto o Maria Thereza Rennó continua fechado, o prefeito busca equipar o hospital Antônio Moreira da Costa com uma nova ala para atender as possíveis vítimas do novo coronavírus na cidade.

Hospital Maria Thereza Rennó funcionou por 8 meses

O hospital foi um projeto idealizado pelo fazendeiro Wagner Rennó. Ele decidiu construir o empreendimento depois que a mãe morreu em casa, sem conseguir atendimento médico. A obra durou 14 anos e foi inaugurada em julho de 2013.

O hospital Maria Thereza Rennó ficou apenas oito meses em funcionamento. Era feito o atendimento através de planos de saúde particulares e do Ipsemg, plano médico dos servidores do estado. A unidade também estava em processo de credenciamento para atender pacientes pelo SUS. No entanto, com as dívidas, funcionários e médicos foram dispensados.

Desde então, os representantes buscam financiadores ou parceiros para que o hospital volte a funcionar.

*O jornalista Magson Gomes é proprietário e diretor responsável do jornal digital Terra do Mandu

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